Atravessamos
o arco e ele logo se fechou. Aquilo era...
____Incrível
Hagrid! Onde vamos primeiro? –perguntei curiosa
____Ao banco,
não é Hagrid?
____Sim
Cassie, vamos a Gringotes. Precisamos trocar o dinheiro. –ele afirmou e seguiu
andando pela rua. Eu sinceramente já estava quase tonta de tanto ficar olhando
de um lado pro outro tentando ver tudo, as lojas, os letreiros, as coisas...
como eu disse, tudo.
Não demorou
muito para que parássemos em frente a um edifício muito branco, que Hagrid
dissera ser Gringotes. Em frente a ele, aparentemente nos esperando, havia
um... você não vai acreditar mas acho que era...
____Ele é um
duende Hagrid? –murmurei e ele assentiu
____Sim, mas
fiquem perto de mim! Eles não são nada amigáveis! –murmurou e nós assentimos.
Subimos as escadas até onde o duende estava e ele nos cumprimentou e nos
deparamos com um par de portas de prata que diziam.
Entrem, estranhos, mas prestem atenção
O que espera o pecado da ambição,
Porque os que tiram o que não ganharam
Terão é que pagar muito caro,
Assim, se procuram sob o nosso chão
Um tesouro que nunca enterraram,
Ladrão, você foi avisado, cuidado,
Pois vai encontrar mais do que
procurou.
Entramos e
mais duendes se curvaram pra nós, o salão era todo de mármore e haviam vários
outros duendes sentados em banquinhos altos atrás de um imenso balcão fazendo
varias coisas como pesar moedas e examinar jóias e pedras preciosas. O duende
nos guiou até a ponta do balcão esquerdo, foi pra trás e sentou-se no
banquinho.
____O que vão
querer?-ele perguntou e Hagrid falou o que era e minha mãe deu o dinheiro
trouxa e depois de algum tempo, não sei quanto, contando e pesando nós tínhamos
a bolsa dela cheia de galeões, sicles e nuques.
____E agora?
–perguntei assim que saímos
____Que tal
você e o Hagrid irem pegar o seu uniforme e a varinha enquanto eu pego os
livros? Hein Hagrid?
____Claro
Cassie! –ele respondeu e ela foi em direção a uma loja chamada Floreios e
Borrões. Paramos em frente a uma loja onde lia-se Olivaras Artesãos de Varinhas de Qualidade desde 382 a.C.
____É aqui.
–ele disse e nós entramos na loja onde logo o som de um sino soou.
A loja era
muito pequena e tudo era coberto por poeira. Havia um balcão e um banquinho,
ambos altos, um de frente pro outro e o resto das coisas eram todas caixas
retangulares pequenas enfileiradas certinhas umas em cima das outras. O ar era
diferente e eu sabia que respirava pura magia.
____Bom dia!
–disse o velhinho que havia surgido do nada bem do nosso lado. Ele era alto,
tinha olhos azuis muito claros, a pele muito branca e os cabelos finos e
grisalhos.
____Olá!
–respondi um pouco assustada pelo susto
____Olá! Ah
sim! Olá Hagrid! –ele disse olhando-o
____Olá!
–Hagrid respondeu e o velho voltou seu olhar pra mim
____Srta.
Black! –exclamou olhando-me. ____Se parece muito com a sua mãe, exceto pela cor
dos cabelos e pelos olhos, tem os olhos do seu pai.
____Tenho?
–indaguei e ele assentiu pegando uma fita métrica do bolso.
____Ah sim!
Qual o braço da varinha?
____O
direito... eu acho. –respondi esticando-o e ele o mediu do ombro ao dedo, do
cotovelo ao pulso, do ombro ao chão, ao redor da cabeça e do joelho a axila. E
enquanto isso ele dizia:
____Todas as
varinhas da minha loja tem o miolo feito de uma substancia mágica poderosa.
Usamos pelo de unicórnio, penas de fênix e cordas de coração de dragão. Não há
nenhuma igual a outra como não há nenhum desses animais igual a outro. A sua
varinha só é fiel a senhorita e não vai surtir o mesmo efeito se outra pessoa
tentar usá-la. –ele já havia parado de me medir e vinha trazendo consigo uma
das caixas. Tirou de lá uma varinha e me entregou. ____Salgueiro, pelo de
unicórnio, flexível, quinze centímetros. Experimente! –pediu e eu peguei a
varinha, fiz alguns movimentos alguma coisa quebrou e o homem tirou-a da minha
mão.____Acho que não. –disse pensativo e foi pras prateleiras voltando com
outra caixa e me entregou outra varinha. ____Ébano, coração de dragão, vinte
centímetros, meio mole. – balancei pra um lado e algumas caixas caíram.
____Desculpe!
–disse entregando-a a ele e ele voltou pras prateleiras
____Sem
problemas! –disse voltando e me entregando outra. ____Mogno, pena de fênix,
farfalhante, trinta centímetros. –a movi pra cima e alguns vidros do lustre
(que eu nem tinha notado) se quebraram. ____Não, não, não! –falou tirando-a da
minha mão e voltando pras prateleiras. ____Talvez... –disse e veio até mim
tirando outra varinha de uma caixa. ____Vinte centímetros, pinheiro, pena de
fênix, excelente e flexível. Teste! –pediu e me entregou. Ao primeiro toque
meus dedos formigaram e assim que eu a movi fazendo uma onda faíscas roxas e
azuis saíram da sua ponta como fogos de artifício, iluminando a sala e pondo
tudo no lugar. Eu sorria e Hagrid batia palmas.
____Brava! -ele disse entusiasmado e eu ri.
____Sim,
Brava! Excelente! –o senhor disse e eu olhei pra ele. ____Mas é curioso, muito
curioso.
____Curioso?
Por quê?
____Porque a
fênix cuja pena do miolo dessa varinha foi tirado não produziu apenas esta.
Normalmente é só uma, mas desta foram três. –disse e o ar se tornou mais
pesado. ____A primeira varinha que possuía uma destas penas pertenceu a um
bruxo muito poderoso Srta. Black; seus feitos foram tão grandes e terríveis que
nem ousamos mencionar seu nome. A segunda varinha eu vendi a pouco, semana
passada na verdade e ela foi destinada a um garoto que promete grandes feitos,
o único a sobreviver ao Lorde das
Trevas: Harry Potter. Então acho que também podemos esperar grandes feitos da
senhorita, não?! Essa varinha não lhe escolheu por acaso Srta. Black. –ele
disse e eu respirei fundo
____Tá.
–respondi e logo depois de pagarmos pela varinha saímos da loja.
____Ele
estava falando serio Hagrid? –perguntei
Andamos um pouco e logo paramos em frente a
uma loja. Madame Malkin – Roupas para Todas
as Ocasiões.
____Acho que
sim. É aqui. Você se importaria se eu saísse por um instante?
____Claro que
não Hagrid! –disse e dei um passo em direção a loja
____Ótimo! Eu
não me demoro! –ele disse e eu entrei a loja onde logo uma mulher baixa e gorda
toda vestida de lilás, que devia ser a Madame Malkin, veio me atender.
____Hogwarts
minha flor? –ela perguntou e eu assenti. ____Venha pra cá e suba aqui que eu já
volto! –pediu depois que me levou até o fundo da loja onde havia uma outra
garota em cima de um banquinho com uma bruxa ajustando o comprimento de suas
vestes, ela tinha cabelo castanho claro cheio e crespo, pele branca corada,
olhos castanhos e dentes da frente um pouco grandes, era um pouco mais alta que
eu e menos magra também. Eu subi no banquinho ao lado, Madame Malkin enfiou uma
veste comprida pela minha cabeça e depois começou a ajustá-la.
____Oi! Você
também vai pra Hogwarts? –perguntou
____Vou.
____Ótimo! Eu
sou Hermione, Hermione Granger! E você?
____Jady
Black! –respondi entusiasmada
____Prazer!
Seus pais são trouxas?
____Bem,
são...
____Os meus
também. Quando recebi a carta nós ficamos muito surpresos, nem sabíamos que
Hogwarts existia, mas é realmente fascinante não?
____Muito! Na
verdade os meus nem acreditaram de primeira. Foi preciso que Hagrid...
____Quem é
aquele ali? –perguntou Hermione quando Hagrid entrou na loja
____O Hagrid.
Ele trabalha em Hogwarts... guarda-caça.
____Esplêndido!
Ele é meio gigante? –questionou curiosa
____Não sei.
Não perguntei.
____Deve ser.
Ele é legal?
____Muito!
____Terminei
querida! –a bruxa que ajustara as vestes dela disse
____Obrigada!
–respondeu a ela e desceu do banquinho. ____Te vejo em Hogwarts então.
____É. A
gente se vê! –disse e ela saiu levando as vestes que a mulher tinha lhe
entregado. Não demorou muito e Madame Malkin terminou com as minhas vestes
também. Nós pagamos e saímos da loja encontrando minha mãe a nossa espera com
vários pacotes com meus livros. Depois fomos comprar o material de poções, um
lindo telescópio desmontável, um caldeirão de estanho e uma balança para pesar
os ingredientes das poções.
____Podemos
ir? Já compramos tudo. –declarou minha mãe conferindo mais uma vez a lista.
____Podemos.
____É, mas eu
só vou poder levar vocês até o Caldeirão Furado. Tenho que voltar à Hogwarts.
–Hagrid disse e suspirou.
____Tudo bem
Hagrid. –afirmei e ele sorriu.
____Então
vamos. –disse minha mão e nós fomos.
Pelo curto
caminho, até o Caldeirão Furado, Hagrid nos falou sobre Hogwarts, os
professores e as comemorações. Era tudo tão fascinante e eu estava mais ansiosa
que nunca. Saímos do caldeirão e eu o abracei.
____Obrigada!
–agradeci e me afastei
____Não há de
quê Jady! Aqui. –me entregou um bilhete de trem e eu olhei-o confusa. ____Sua
passagem para Hogwarts. Dia primeiro de setembro. –falou e eu assenti
guardando-a.
____Tchau
Hagrid! –disse minha mãe se afastando e Hagrid acenou
____Nos vemos
em Hogwarts! –exclamei e ele sorriu

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