“Durma minha pequena
Que o amanhã já vem
Estou aqui
E o mal pra ti não vem.
Durma agora pequena
Não ha nada a temer
O amor é mais forte
E vai te proteger!”
Assim cantava a mulher que me tinha no colo. Ela tinha cabelo ruivo cacheado, olhos azul-piscina e pele branca corada como uma boneca de porcelana. Tinha nas mãos uma bebê, eu, ela tinha cabelo castanho avermelhado e cacheado como o de um anjinho, olhos castanhos escuros e pele rosada.
De repente
ouviu-se um grito feminino vindo do outro andar e a mulher parou tensa.
_____Shiiiu!
–ela murmurou pra bebê que logo calou-se e pôs ela no berço cobrindo-a com uma
capa.
A mulher
adquiriu um olhar assustado e se pôs em frente ao berço de forma protetora
quando de repente a porta do quarto foi arrombada.
____Onde está
a criança? –perguntou uma voz gélida, fina e fria.
____Não está
aqui!
____Você acha
que me engana Annie!? –exclamou e ela estremeceu
____Estou
falando a verdade!
____Eu acho
que não! –falou e um feixe de luz verde tapou minha visão.
____NÃO!!!!!
Acordei
gritando e logo meus pais entraram no quarto acendendo a luz. Meu pai era Benjamim
Lawrence, um homem alto e magro, tinha olhos castanhos, pele branca bronzeada e
cabelos loiros, parecia mais uma estrela de Hollywood, mas na verdade era um
advogado renomado. E minha mãe era Cassandra Lawrence, uma mulher baixinha, e
magra como uma modelo, tão bonita quanto uma também, tinha olhos da cor do céu,
boca carnuda rosada, pele branca como leite e cabelos ruivos cacheados, parecia
uma princesa, ou melhor, rainha. Eles eram muito meigos, inteligentes,
protetores e divertidos. Os melhores pais que alguém poderia ter.
Eles vieram
com aquele olhar preocupado até mim, cada um sentou de um lado da cama e me
abraçaram.
___Aquele
pesadelo de novo querida? –mamãe perguntou e eu assenti enquanto uma lagrima
descia.
___Eu tenho
medo mamãe... –disse e papai acariciou minha cabeça.
___Nós
estamos aqui filha... não há nada que possa lhe fazer mal. Volte a dormir
pequena! –ele disse de forma tranquilizadora e eu fechei os olhos logo voltando
a dormir, mas dessa vez com o sono livre de pesadelos.
Quatro anos
depois...
Acordei com a
respiração ofegante e a cicatriz que eu tinha atrás do pescoço ardendo. Eu havia tido aquele pesadelo de novo. Fazia
tempo que eu não o tinha e ele sempre me deixava triste mesmo eu não me
lembrando dos detalhes, mas eu sabia que era ruim o bastante pra me deixar
assim, como se as pessoas que estivessem nele fossem importantes pra mim, o que
era realmente estranho porque eu só tinha a impressão que havia uma mulher e
dois bebês e que um dos três morria.
L... Ah é! Eu
não me apresentei não é? Bem, meu nome é Jady Black e não eu não sei de onde veio
o Black. Tenho 10 anos e vivo em Surrey com meus pais. Sou pequena e magra, o
que faz com que eu pareça muito mais nova. Tenho cabelo castanho avermelhado
cacheado, olhos castanhos escuros e pele morena muito clara e pálida. Levantei
coçando os olhos e fui até o espelho. Eu estava mais pálida que o normal, meus
olhos estavam um pouco avermelhados, a camisola azul com coraçõezinhos que eu
vestia estava folgada me deixando mais magra que eu já era e meu cabelo estava
uma bagunça. Prendi-o numa trança frouxa, escovei os dentes e desci pra tomar
café. Mamãe estava fazendo panquecas e papai estava lendo o jornal.
____Bom dia!
–eu disse ainda sonolenta sentando-me em frente a ele.
____Bom dia
filha! – ele respondeu sem desviar os olhos do jornal.
____Bom dia
querida! –mamãe respondeu colocando um prato de panquecas a minha frente e eu
sorri. ____Dormiu bem? –perguntou
____Mais ou
menos... –respondi e ela pareceu entender pois sentou-se a mesa e não perguntou
mais nada sobre o assunto.
Depois de alguns
minutos ouvimos o som de cartas caindo no capacho e mamãe olhou pra mim então
eu levantei e caminhei até a porta da sala de estar. Em frente a ela, sobre o
capacho havia uns quatro envelopes, peguei-os e fui olhando-os pelo caminho até
que um diferente dos outros me chamou atenção. O envelope era grosso e pesado, não
era de papel branco normal e sim de pergaminho amarelado, a caligrafia era
forte e havia sido feita com tinta verde-esmeralda como os olhos do bebê e da
mulher do meu sonho (pêra, como é que eu sabia disso?), não havia selo e do
outro lado havia um lacre de cera púrpura com um brasão; um leão, uma águia, um
texugo e uma cobra circundando uma grande letra “H”. E mais estranho ainda...
Estava endereçado a mim. Serio ninguém me mandava cartas, mesmo quando elas
eram pra mim estavam sempre endereçadas aos meus pais.
Mas com tudo,
ela estava endereçada assim:
Srta. J Black
O ultimo quarto do 1º andar
Rua dos Alfeneiros 6
Little Whinging
Surrey
Olhei-a franzindo a testa e coloquei as outras em cima da mesa, sentei-me e fitei-a um pouco mas logo comecei a abrir o lacre.
____O que é
isso filha? –mamãe perguntou
____Uma
carta. –respondi sem olhar pra ela
____Pra você?
____É...
____Estranho...
posso ver? –pediu e eu assenti terminando de abrir a mesma
____Espera só
um minuto... –respondi e voltei minha atenção ao envelope. Puxei a carta e li;
ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA DE HOGWARTS
Diretor: Alvo Dumbledore (Ordem de Merlin, Primeira Classe, Grande Feiticeiro, Bruxo Chefe Cacique Supremo,
Confederação Internacional de Bruxos)
Prezada Srta. Black;
Temos o prazer de informar que V.S.a
tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma
lista de livros e equipamentos necessários.
O ano letivo começa em 1º de setembro.
Aguardamos sua coruja até 31 de julho,
no mais tardar.
Atenciosamente,
Minerva McGonagall
Diretora Substituta
Eu fiquei
encarando a carta não sei por quanto tempo, mas acho que foi muito. Meus
pensamentos iam de Demais isso é muito
legal! à Isso é serio? e Eu só posso estar enlouquecendo!
_____Filha!
Você está bem? –perguntou meu pai já ao meu lado e olhei-o confusa assentindo
logo depois.
_____Benjamim
olha isso! –chamou mamãe e só aí eu percebi que ela tinha pegado a carta. Papai
pegou e começou a ler e nós ficamos olhando sua expressão de total confusão.
_____Isso é
serio? –ele perguntou olhando-me e eu assenti. _____Onde você achou?
_____No
capacho, junto com os outros envelopes. Isso é verdade pai? –perguntei e ele
balançou a cabeça.
_____Eu não
sei Jady... Provavelmente foi só obra de algum desocupado querendo nos pregar
uma peça. –afirmou e nós assentimos. Terminamos de tomar café depois papai
deu-me um abraço, um beijo na mamãe e foi trabalhar.
Depois disso,
mamãe foi limpar a cozinha e eu subi pro meu quarto. Arrumei a cama e fiquei
penando na carta. Será que o que ela dizia era verdade ou era só um desocupado
pregando-nos uma peça?
Durante o dia
todo não falamos mais sobre o assunto e meus pais poderiam ter-lo esquecido não
fosse pelo dia seguinte.
Acordei com o
barulho de algo batendo na janela. Abri os olhos e olhei pra mesma e arregalei
os olhos.
Aquilo é uma coruja? –pensei e fui até a janela e abri
deixando entrar uma linda coruja. Ela era grande de penugem parda com pontos
pretos e grandes olhos escuros. Ela trazia consigo uma carta, peguei-a e a
coruja saiu pela janela; olhei a carta, era igual a que tinha sido mandada um
dia antes. Abri e tinha a mesma coisa escrita também. Seguiu-se assim todos os
dias por mais ou menos duas semanas e cada vez em maior numero, mas meus pais
pareciam ainda não terem acreditado nessa história de bruxaria. No entanto, eu
acreditava é claro! Afinal não é nada normal que corujas sirvam de correio, ou
é?
Além do mais
eu já fiz varias coisas estranhas acontecerem. Como quando eu tinha sete anos e
uma cobra entrou no meu quarto, eu não havia sentido medo (mentira!!!), disse
(não, eu acho que eu gritei) pra ela que saísse e ela simplesmente balançou a
cabeça da forma que as cobras fazem e saiu. Ou quando eu tinha nove, estava na
escola e as luzes começaram a acender e apagar
e as janelas começaram a bater quanto uma das meninas da minha sala
começou a caçoar de mim. Ou... bem você já entendeu.
Desde aquele
dia, assim que eu acordava ia até a cozinha pegar um pedaço de carne (pras
corujas) e sentava em frente a janela e ficava olhando as vezes pro céu, as
vezes pra rua. Um dia quando eu observava os jardins da vizinhança eu vi um
garoto sair da casa de numero quatro. Ele era pequeno e magro, tinha cabelos pretos
bagunçados e olhos verdes-esmeralda bem vivos. Seu nome era Harry Potter.
Como eu sabia
disso? Eu conhecia Harry a quase um ano, da escola primaria pra qual eu havia
sido transferida quando me mudei do Brasil pra Londres. Ninguém falava com ele.
Ele vestia roupas velhas que eram três vezes o seu tamanho, e usava óculos
remendados. Todos riam dele e todos apenas olhavam quando Duda, o primo dele,
um garoto alto, loiro, burro e gordo como um porco, batia nele junto com mais
quatro garotos.
Mas não é
como se eu fosse como eles, porque apesar de ser tímida eu absolutamente odeio
injustiças. No meu primeiro dia eu sentei ao lado dele.
____Oi!
–murmurei e ele arregalou os olhos me olhando assustado
____Você
falou comigo? –perguntou
____Falei. Qual
seu nome? –perguntei e ele sorriu
____Eu sou
Harry, Harry Potter! –respondeu animado e eu ri.____Você é a garota que se
mudou pra casa da frente né?
____Sou. Meu
nome é Jady Black.
____Sabia que
você é a primeira pessoa que fala comigo e não ri de mim?
____Então
eles são uns idiotas. –respondi sorrindo e ele sorriu.
E foi assim
que viramos melhores amigos, ou seja, eu era a única amiga dele e ele era meu
único amigo.
Fiquei
olhando ele atravessar a rua e olhar pros cantos até me ver e acenar pra mim e
eu acenar de volta. Depois daquele dia eu não vi mais ninguém no número quatro.
O dia em que
meus pais passaram a acreditar que eu era uma bruxa foi uma sexta de madrugada.
Todos já havíamos ido dormir quando ouvimos alguém bater na porta, bater como
se fosse derrubá-la. Ouvi papai e mamãe descerem as escadas e saí do quarto
seguindo-os e me escondendo com medo do que estava lá fora. Não me julguem! Eu
sou corajosa, só que eu estava com medo.
Tump; Tump
Bateram de
novo e dessa vez papai respondeu.
_____Quem é?
–ele perguntou, mas logo a porta foi arrombada e um homem muito, mas muito alto
mesmo entrou e fechou a porta.
____Olá!
Desculpem a demora! É que foi um pouco difícil achar a casa. Será que
poderíamos conversar? –disse e olhei-o boquiaberta, como ele era grande...
____O que você
quer? –papai perguntou ainda a nossa frente.
____Acalme-se
Sr. Lawrence! Eu só vim aqui pra saber da pequena Jady e...
____E o que
você teria a tratar com nossa filha? Nós nem sabemos quem é você... –mamãe
disse
____Verdade, que
cabeça a minha! Esqueci de me apresentar. Eu sou Rúbeo Hagrid, guardião das
chaves e das terras de Hogwarts. E o assunto que eu quero tratar é Hogwarts é
claro! –falou e sentou-se no sofá. ____Venha cá criança! –ele chamou e eu fui
até ele.
____Oi Hagrid!
Hogwarts existe mesmo? –perguntei entusiasmada e ele riu
____É claro!
É claro que existe, seus pais estudaram lá! Você tem uma vaga desde que nasceu
e...
____Meus
pais? –perguntei olhando-os
____Sim, mas
não os trouxas que lhe criaram... Seus verdadeiros pais.

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