terça-feira, 3 de junho de 2014

Cap. 1 - Estranho Pesadelo


“Durma minha pequena
Que o amanhã já vem
Estou aqui
E o mal pra ti não vem.
Durma agora pequena
Não ha nada a temer
O amor é mais forte
E vai te proteger!”

Assim cantava a mulher que me tinha no colo. Ela tinha cabelo ruivo cacheado, olhos azul-piscina e pele branca corada como uma boneca de porcelana. Tinha nas mãos uma bebê, eu, ela tinha cabelo castanho avermelhado e cacheado como o de um anjinho, olhos castanhos escuros e pele rosada.
De repente ouviu-se um grito feminino vindo do outro andar e a mulher parou tensa.
_____Shiiiu! –ela murmurou pra bebê que logo calou-se e pôs ela no berço cobrindo-a com uma capa.
A mulher adquiriu um olhar assustado e se pôs em frente ao berço de forma protetora quando de repente a porta do quarto foi arrombada.
____Onde está a criança? –perguntou uma voz gélida, fina e fria.
____Não está aqui!
____Você acha que me engana Annie!? –exclamou e ela estremeceu
____Estou falando a verdade!
____Eu acho que não! –falou e um feixe de luz verde tapou minha visão.
____NÃO!!!!!
Acordei gritando e logo meus pais entraram no quarto acendendo a luz. Meu pai era Benjamim Lawrence, um homem alto e magro, tinha olhos castanhos, pele branca bronzeada e cabelos loiros, parecia mais uma estrela de Hollywood, mas na verdade era um advogado renomado. E minha mãe era Cassandra Lawrence, uma mulher baixinha, e magra como uma modelo, tão bonita quanto uma também, tinha olhos da cor do céu, boca carnuda rosada, pele branca como leite e cabelos ruivos cacheados, parecia uma princesa, ou melhor, rainha. Eles eram muito meigos, inteligentes, protetores e divertidos. Os melhores pais que alguém poderia ter.
Eles vieram com aquele olhar preocupado até mim, cada um sentou de um lado da cama e me abraçaram.
___Aquele pesadelo de novo querida? –mamãe perguntou e eu assenti enquanto uma lagrima descia.
___Eu tenho medo mamãe... –disse e papai acariciou minha cabeça.
___Nós estamos aqui filha... não há nada que possa lhe fazer mal. Volte a dormir pequena! –ele disse de forma tranquilizadora e eu fechei os olhos logo voltando a dormir, mas dessa vez com o sono livre de pesadelos.
Quatro anos depois...
Acordei com a respiração ofegante e a cicatriz que eu tinha atrás do pescoço ardendo.  Eu havia tido aquele pesadelo de novo. Fazia tempo que eu não o tinha e ele sempre me deixava triste mesmo eu não me lembrando dos detalhes, mas eu sabia que era ruim o bastante pra me deixar assim, como se as pessoas que estivessem nele fossem importantes pra mim, o que era realmente estranho porque eu só tinha a impressão que havia uma mulher e dois bebês e que um dos três morria.
L... Ah é! Eu não me apresentei não é? Bem, meu nome é Jady Black e não eu não sei de onde veio o Black. Tenho 10 anos e vivo em Surrey com meus pais. Sou pequena e magra, o que faz com que eu pareça muito mais nova. Tenho cabelo castanho avermelhado cacheado, olhos castanhos escuros e pele morena muito clara e pálida. Levantei coçando os olhos e fui até o espelho. Eu estava mais pálida que o normal, meus olhos estavam um pouco avermelhados, a camisola azul com coraçõezinhos que eu vestia estava folgada me deixando mais magra que eu já era e meu cabelo estava uma bagunça. Prendi-o numa trança frouxa, escovei os dentes e desci pra tomar café. Mamãe estava fazendo panquecas e papai estava lendo o jornal.
____Bom dia! –eu disse ainda sonolenta sentando-me em frente a ele.
____Bom dia filha! – ele respondeu sem desviar os olhos do jornal.
____Bom dia querida! –mamãe respondeu colocando um prato de panquecas a minha frente e eu sorri. ____Dormiu bem? –perguntou
____Mais ou menos... –respondi e ela pareceu entender pois sentou-se a mesa e não perguntou mais nada sobre o assunto.
Depois de alguns minutos ouvimos o som de cartas caindo no capacho e mamãe olhou pra mim então eu levantei e caminhei até a porta da sala de estar. Em frente a ela, sobre o capacho havia uns quatro envelopes, peguei-os e fui olhando-os pelo caminho até que um diferente dos outros me chamou atenção. O envelope era grosso e pesado, não era de papel branco normal e sim de pergaminho amarelado, a caligrafia era forte e havia sido feita com tinta verde-esmeralda como os olhos do bebê e da mulher do meu sonho (pêra, como é que eu sabia disso?), não havia selo e do outro lado havia um lacre de cera púrpura com um brasão; um leão, uma águia, um texugo e uma cobra circundando uma grande letra “H”. E mais estranho ainda... Estava endereçado a mim. Serio ninguém me mandava cartas, mesmo quando elas eram pra mim estavam sempre endereçadas aos meus pais.
Mas com tudo, ela estava endereçada assim:

Srta. J Black
O ultimo quarto do 1º andar
Rua dos Alfeneiros 6
Little Whinging
Surrey

Olhei-a franzindo a testa e coloquei as outras em cima da mesa, sentei-me e fitei-a um pouco mas logo comecei a abrir o lacre.
____O que é isso filha? –mamãe perguntou
____Uma carta. –respondi sem olhar pra ela
____Pra você?
____É...
____Estranho... posso ver? –pediu e eu assenti terminando de abrir a mesma
____Espera só um minuto... –respondi e voltei minha atenção ao envelope. Puxei a carta e li;
ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA DE HOGWARTS
Diretor: Alvo Dumbledore (Ordem de Merlin, Primeira Classe, Grande Feiticeiro, Bruxo Chefe Cacique Supremo, Confederação Internacional de Bruxos)
Prezada Srta. Black;
Temos o prazer de informar que V.S.a tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista de livros e equipamentos necessários.
O ano letivo começa em 1º de setembro.
Aguardamos sua coruja até 31 de julho, no mais tardar.
Atenciosamente,
Minerva McGonagall
Diretora Substituta 
Eu fiquei encarando a carta não sei por quanto tempo, mas acho que foi muito. Meus pensamentos iam de Demais isso é muito legal! à Isso é serio? e Eu só posso estar enlouquecendo!
_____Filha! Você está bem? –perguntou meu pai já ao meu lado e olhei-o confusa assentindo logo depois.
_____Benjamim olha isso! –chamou mamãe e só aí eu percebi que ela tinha pegado a carta. Papai pegou e começou a ler e nós ficamos olhando sua expressão de total confusão.
_____Isso é serio? –ele perguntou olhando-me e eu assenti. _____Onde você achou?
_____No capacho, junto com os outros envelopes. Isso é verdade pai? –perguntei e ele balançou a cabeça.
_____Eu não sei Jady... Provavelmente foi só obra de algum desocupado querendo nos pregar uma peça. –afirmou e nós assentimos. Terminamos de tomar café depois papai deu-me um abraço, um beijo na mamãe e foi trabalhar.
Depois disso, mamãe foi limpar a cozinha e eu subi pro meu quarto. Arrumei a cama e fiquei penando na carta. Será que o que ela dizia era verdade ou era só um desocupado pregando-nos uma peça?
Durante o dia todo não falamos mais sobre o assunto e meus pais poderiam ter-lo esquecido não fosse pelo dia seguinte.
Acordei com o barulho de algo batendo na janela. Abri os olhos e olhei pra mesma e arregalei os olhos.
Aquilo é uma coruja? –pensei e fui até a janela e abri deixando entrar uma linda coruja. Ela era grande de penugem parda com pontos pretos e grandes olhos escuros. Ela trazia consigo uma carta, peguei-a e a coruja saiu pela janela; olhei a carta, era igual a que tinha sido mandada um dia antes. Abri e tinha a mesma coisa escrita também. Seguiu-se assim todos os dias por mais ou menos duas semanas e cada vez em maior numero, mas meus pais pareciam ainda não terem acreditado nessa história de bruxaria. No entanto, eu acreditava é claro! Afinal não é nada normal que corujas sirvam de correio, ou é?
Além do mais eu já fiz varias coisas estranhas acontecerem. Como quando eu tinha sete anos e uma cobra entrou no meu quarto, eu não havia sentido medo (mentira!!!), disse (não, eu acho que eu gritei) pra ela que saísse e ela simplesmente balançou a cabeça da forma que as cobras fazem e saiu. Ou quando eu tinha nove, estava na escola e as luzes começaram a acender e apagar  e as janelas começaram a bater quanto uma das meninas da minha sala começou a caçoar de mim. Ou... bem você já entendeu.
Desde aquele dia, assim que eu acordava ia até a cozinha pegar um pedaço de carne (pras corujas) e sentava em frente a janela e ficava olhando as vezes pro céu, as vezes pra rua. Um dia quando eu observava os jardins da vizinhança eu vi um garoto sair da casa de numero quatro. Ele era pequeno e magro, tinha cabelos pretos bagunçados e olhos verdes-esmeralda bem vivos. Seu nome era Harry Potter.
Como eu sabia disso? Eu conhecia Harry a quase um ano, da escola primaria pra qual eu havia sido transferida quando me mudei do Brasil pra Londres. Ninguém falava com ele. Ele vestia roupas velhas que eram três vezes o seu tamanho, e usava óculos remendados. Todos riam dele e todos apenas olhavam quando Duda, o primo dele, um garoto alto, loiro, burro e gordo como um porco, batia nele junto com mais quatro garotos.
Mas não é como se eu fosse como eles, porque apesar de ser tímida eu absolutamente odeio injustiças. No meu primeiro dia eu sentei ao lado dele.
____Oi! –murmurei e ele arregalou os olhos me olhando assustado
____Você falou comigo? –perguntou
____Falei. Qual seu nome? –perguntei e ele sorriu
____Eu sou Harry, Harry Potter! –respondeu animado e eu ri.____Você é a garota que se mudou pra casa da frente né?
____Sou. Meu nome é Jady Black.
____Sabia que você é a primeira pessoa que fala comigo e não ri de mim?
____Então eles são uns idiotas. –respondi sorrindo e ele sorriu.
E foi assim que viramos melhores amigos, ou seja, eu era a única amiga dele e ele era meu único amigo.
Fiquei olhando ele atravessar a rua e olhar pros cantos até me ver e acenar pra mim e eu acenar de volta. Depois daquele dia eu não vi mais ninguém no número quatro.
O dia em que meus pais passaram a acreditar que eu era uma bruxa foi uma sexta de madrugada. Todos já havíamos ido dormir quando ouvimos alguém bater na porta, bater como se fosse derrubá-la. Ouvi papai e mamãe descerem as escadas e saí do quarto seguindo-os e me escondendo com medo do que estava lá fora. Não me julguem! Eu sou corajosa, só que eu estava com medo.
Tump; Tump
Bateram de novo e dessa vez papai respondeu.
_____Quem é? –ele perguntou, mas logo a porta foi arrombada e um homem muito, mas muito alto mesmo entrou e fechou a porta.
____Olá! Desculpem a demora! É que foi um pouco difícil achar a casa. Será que poderíamos conversar? –disse e olhei-o boquiaberta, como ele era grande...
____O que você quer? –papai perguntou ainda a nossa frente.
____Acalme-se Sr. Lawrence! Eu só vim aqui pra saber da pequena Jady e...
____E o que você teria a tratar com nossa filha? Nós nem sabemos quem é você... –mamãe disse
____Verdade, que cabeça a minha! Esqueci de me apresentar. Eu sou Rúbeo Hagrid, guardião das chaves e das terras de Hogwarts. E o assunto que eu quero tratar é Hogwarts é claro! –falou e sentou-se no sofá. ____Venha cá criança! –ele chamou e eu fui até ele.
____Oi Hagrid! Hogwarts existe mesmo? –perguntei entusiasmada e ele riu
____É claro! É claro que existe, seus pais estudaram lá! Você tem uma vaga desde que nasceu e...
____Meus pais? –perguntei olhando-os
____Sim, mas não os trouxas que lhe criaram... Seus verdadeiros pais.






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