Caminhei um
pouco com o maior cuidado pra não fazer barulho. Peguei meu arco e as flechas
dentro de uma das muitas arvores ocas daquela floresta e voltei a andar
pensando em quanto eu tinha sorte.
Eu tinha
sorte por poder vir pra cá e caçar. Papai me ensinara a caçar quando eu era
muito pequena. Eu lembro que vínhamos nós quatro, nos arrumávamos em uma
clareira perto de um laguinho e ele me ensinava a usar o arco enquanto Percy
brincava com Di. Ele era tão bom conosco. As vezes eu penso o quanto a vida
é injusta, o quanto pessoas que não
merecem sofrer sofrem quando outras que não mereciam nem estar vivas vivem
usufruindo do bom e do melhor. Mas mesmo assim, eu sou muito sortuda, com a
caça nós podemos comer um pouco mais que o necessário pra não se desmaiar, o
que era ótimo. Acho que Percy agradece todos os dias por isso; por ter deixado
de ser tão neurótico e me deixado ir caçar.
Ouvi o
farfalhar de galhos e me escondi atrás de uma arvore. Um peru selvagem passou
por mim e eu mirei uma flecha nele.
Só mais um
pouco... Mais um pouquinho e...
De repente
meus pensamentos foram interrompidos por uma certa pessoa que ia se dar muito
mal depois. Louis me abraçou por trás, me levantou segurando-me pela cintura e
me virou pra ele colando nossos corpos.
Ai como ele
me irrita!
Tudo bem que
ele era meu melhor amigo (um dos únicos na verdade), mas as vezes ele me
irritava muito e eu podia jurar que era de propósito.
____Sai fora
Louis! –resmunguei empurrando-o e ele me soltou.
____Olá pra
você também! –respondeu sorrindo e minha expressão se suavizou.
____Odeio não
conseguir ficar brava com você. –disse e sai andando em direção ao nosso
esconderijo.
Nosso
esconderijo que não era bem um esconderijo e sim um monte com vista pra todo o
vale. Sentei em uma das pedras e Louis sentou do meu lado.
____Hey! Ta
tudo bem? –indagou e eu respirei fundo virando-me pra olhar-lo.
____To. –respondi
desanimada e ele ergueu minha cabeça
____Fala.
____É só
que... Estou com medo. –murmurei olhando o chão e eu sabia que tinha um sorriso
muito sarcástico na cara dele.
____Você com
medo? Medo do que? De tirarem seu nome na colheita? –perguntou e mais uma vez
respirei fundo.
A colheita
era um evento anual em todos os distritos onde eram sorteados o nome de dois
tributos, um garoto e uma garota. Eles eram levados a capital e depois se reuniam
em uma arena onde todos os vinte e quatro tributos tinham que lutar até que
apenas um sobrevivesse. Essa competição recebia o nome de Jogos Vorazes.
____Não
meu... Diana fez doze mês passado.
____Entendi...
Mas você não precisa se preocupar com isso.
____Claro que
preciso! Ela é minha irmã! –exclamei e ele assentiu
____Sim, mas
é muito improvável que seja ela. Vai haver só um papel com o nome dela lá. Não há
porque se preocupar. –disse e eu sorri
____Tem
razão. Obrigada.
____De nada.
____Ta. Agora
eu tenho que ir. –falei me levantando e segui andando.
____Até a
colheita.
____Até.
E aí? Como fui?
Quero a opinião de vocês.




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